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Covid-19: Será que existem ainda setores contratando trabalhadores em meio à pandemia?

Mesmo com a maior crise no mercado de trabalho desde a Segunda Guerra Mundial, existem setores que estão contrato e empregando muito gente!!!

Alguns setores seguem contratando — e não apenas o de saúde.

Além do setor de saúde

Com tanta gente cozinhando em casa, o setor de supermercados tem assistido a um aumento significativo da demanda.

Há alguns dias, a rede Carrefour anunciou a abertura de 5 mil novas vagas para reforçar todas as operações:

  • são operadores de loja;
  • auxiliares de perecíveis;
  • agentes de prevenção;
  • recepcionistas de caixa;
  • padeiros;
  • peixeiros;
  • técnicos em manutenção;
  • açougueiros;
  • operadores de centro de distribuição e
  • vendedores de eletrodomésticos.

A maioria das vagas se distribui entre cidades de 8 Estados, entre elas Manaus, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo.

Eduardo Migliano, cofundador da 99jobs, plataforma em que esse recrutamento (totalmente online) está sendo realizado, conta que recebeu cerca de 150 mil currículos, uma concorrência de 30 candidatos por vaga.

Apesar de ter muita gente procurando emprego no momento, Augusto Schaffer, fundador do site RioVagas, aconselha os trabalhadores a continuarem buscando, já que o varejo de alimentos segue aquecido e, nos últimos dias, tem havido uma oferta consistente de novos postos.

No ar há mais de uma década, o site recebe cerca de 4 milhões de visitas por mês e anuncia principalmente vagas operacionais em pequenas e médias empresas no Estado. Recentemente, lançou uma plataforma batizada de Classirio para aqueles que estão buscando uma fonte alternativa de renda possam oferecer seus produtos e serviços.

Dentro da oferta de vagas tradicionais, Schaffer diz ter se surpreendido com o segmento de farmácias, que tem contratado tanto farmacêuticos quanto atendentes, e destaca ainda a área de logística — motoristas de caminhão e outras funções ligadas à movimentação de carga —, e as empresas de contabilidade e do setor financeiro, que podem atuar junto às empresas em um contexto de recessão.

A ‘indústria da pandemia’

O aumento da demanda no setor de saúde, ele acrescenta, tem gerado ainda postos em áreas indiretamente ligadas à operação de clínicas e hospitais:

  • manutenção predial;
  • instalação de ar condicionado;
  • vagas para cozinheiros e
  • nutricionistas.

Há ainda parte da indústria que está produzindo mais durante a pandemia, como os fabricantes de materiais hospitalares e de produtos de higiene.

A Aeroflex, de Curitiba, que há 14 anos fabrica produtos em aerossol, resolveu em janeiro adaptar a linha de produção para lançar álcool em aerossol.

A decisão foi uma tentativa de driblar a falta de matéria-prima para produção de álcool gel, que a empresa importava de países como EUA, Índia e China.

Desde o lançamento do produto, há duas semanas, são fabricadas cerca de 150 mil unidades todos os dias. Márcio Miksza, diretor comercial da empresa, diz que a produção “dos próximos três ou quatro meses” já está vendida.

Como reflexo, a empresa aumentou em 30% o número de funcionários. Foram 60 contratações, elevando o total de empregados a 240.

As medidas de distanciamento social, por sua vez, alimentaram o mercado de delivery e acabam gerando uma demanda também na área de tecnologia, de programadores e designers de aplicativos, destaca Migliano.

Ele lembra, por outro lado, que muitos desses profissionais têm sido demitidos nas últimas semanas de startups de tecnologia. São empresas que normalmente dependem de captação de recursos de fundos para sobreviver, que não trabalham com muita folga de caixa e que, por isso, estão cortando onde podem para fazer frente à queda no faturamento.

Vendedores ‘virtuais’

O empreendedor conta ainda que tem visto ainda uma busca por parte de empresas com pouca ou nenhuma presença na internet por vendedores que possam anunciar seus produtos nos chamados “market places”, sites como Mercado Livre, que têm se mostrado uma alternativa àquelas que não estão conseguindo operar no “mundo físico”.

Essa percepção aparece nos números levantados pelo site Infojobs

As funções de consultor de vendas, vendedor e representante comercial estão entre as principais ofertas de vagas para home office — que, aliás, cresceram de forma geral 387% na comparação de março com janeiro.

São 2.517 posições para se trabalhar de casa, distribuídas, além do setor de vendas, nas áreas jurídica (conciliador extrajudicial), de telecomunicações (desenvolvedor java, programador), de marketing (analista, designer gráfico e divulgador) e de telemarketing.

Neste momento, a plataforma tem 287.695 vagas, sendo 74.421 novas.

A área com maior número é a de informática/TI, com 6.577 postos, seguida por saúde (5.114), logística (3.845), segurança (3.636), indústria (3.122) e transportes (1.453).

Os setores com maior crescimento proporcional de vagas na plataforma, na comparação entre março e janeiro, foram o de saúde (145%) e segurança (85%).

Quais os Estados que tiveram as maiores altas de trabalhos?

Entre os Estados, as maiores altas em termos percentuais foram observadas no:

  • Piauí (1.050%);
  • Ceará (321%);
  • Paraná (166%);
  • Minas Gerais (136%);
  • Goiás (110%) e
  • Rio de Janeiro (102%).

Vagas operacionais x administrativas

Schaffer, da RioVagas, conta que, se de um lado ainda há uma oferta de vagas operacionais, ele tem observado um volume grande de demissões em áreas administrativas — em muitos casos, diante de uma queda forte de receitas, as empresas estão mantendo apenas o essencial para se manterem vivas.

De fato, a empresa de recrutamento Robert Half, concentrada no mercado de vagas com remuneração média entre R$ 5 mil e R$ 30 mil, observou uma queda no volume de processos seletivos.

Fernando Mantovani, diretor-geral da consultoria, destaca, contudo, que após um primeiro momento em que a maioria das empresas decidiu congelar as contratações — o que aconteceu por volta da semana do dia 20 de março —, algumas têm retomado os processos.

Nesta semana, o volume de vagas já se aproxima de 60% da média observada pela empresa antes do início da pandemia.

Os setores, segundo ele, são bastante pulverizados, vão de comércio eletrônico e agronegócio a indústria e serviços.

Contratações remotas

As contratações estão sendo feitas, em sua grande maioria, de forma totalmente remota.

“Tem gente que foi contratado, mandou os documentos digitalizados, recebeu o material pelo correio e já começou a trabalhar — sem nunca ter apertado a mão de ninguém na empresa.”

A empresa tem um banco de cerca de 500 mil currículos no Brasil, e novas inscrições podem ser feitas no próprio site.

Em outras plataformas também há oportunidades para os jovens, grupo no qual a taxa de desemprego é estruturalmente mais elevada.

A startup Eureca, focada especificamente em vagas de estágio e trainee, tem processos abertos para a Klabin, empresa de papel e celulose, com 8 vagas para as áreas administrativa, financeira, produção industrial e manutenção em quatro Estados (São Paulo, Ceará, Paraná e Amazonas).

Já a Givaudan, de aromas e fragrâncias, tem outras 15 vagas abertas em São Paulo para universitários nas áreas administrativa, de vendas, jurídico, criação e avaliação de fragrâncias, produção, inovação e tecnologia.

Os processos também são todos feitos de maneira remota, conta Carolina Utimura, COO da plataforma.

Além dos sites geridos pela iniciativa privada, também há vagas anunciadas no Sistema Nacional de Emprego (Sine), que passou por reformulação recentemente e hoje funciona por meio de um aplicativo.

Em São Paulo, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico informou que, entre fevereiro e março, 20.247 vagas foram fornecidas no Estado através da plataforma, já que os Postos de Atendimento ao Trabalhador (PATs) não estão funcionando com atendimento presencial.

O choque no mercado de trabalho

Apesar de ainda haver setores contratando, a provável recessão decorrente da pandemia deve elevar o desemprego no Brasil, com impacto particularmente duro sobre os trabalhadores informais, que não estão assistidos pelo sistema de proteção social.

O último Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre-FGV), do fim de março, chama atenção para isso.

“Paralelamente, a crise afetará de forma desproporcional as micro, pequenas e médias empresas, que terão maior dificuldade de lidar com a dramática queda esperada de receitas. Essas são também as empresas que mais empregam, inclusive muitos trabalhadores sem carteira. Muitos trabalhadores terão uma brutal redução de sua renda mensal. E muitos serão demitidos”, diz o relatório.

A equipe de economistas destaca ainda que, por isso, seriam necessárias medidas emergenciais para evitar que o desemprego subisse forte e rapidamente e que a crise tivesse um grande impacto sobre a população mais vulnerável.

O auxílio emergencial de R$ 600 que o governo pagará por três meses às famílias de baixa renda é uma iniciativa nesse sentido.

O mais recente boletim da OIT sobre o impacto da crise sobre o mercado de trabalho, de 7 de abril, também destaca a importância de medidas para proteger os informais, que correspondem a um percentual relevante da força de trabalho em países pobres e emergentes.

A organização propõe uma resposta em quatro pilares: estímulos à economia e ao emprego, apoio às empresas e à manutenção da renda, proteção dos trabalhadores nos locais de trabalho e a prática constante de diálogo com os diversos setores da sociedade para a busca e implementação de soluções.

Operações de débito automático em conta – Novas regras aprimoradas pelo Governo

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira ajustes nas regras de formalização das operações de débito automático nas contas correntes, determinando a obrigatoriedade da informação, em contrato, sobre finalidade da movimentação e da discriminação da conta a ser debitada.

As novas regras também garantem aos titulares das contas correntes o direito de cancelar, a qualquer tempo, as autorizações de débito em conta.

“Um dos objetivos da medida é conferir transparência ao processo de autorização de débito em conta corrente e evitar autorizações de débito com poderes amplos e genéricos”, afirmou o Banco Central em nota, acrescentando que a nova regra vale também para autorizações de débito em conta de operações de empréstimo e arrendamento mercantil (leasing).

João André Marques, chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, afirmou que, no caso do débito automático para o pagamento de crédito, os contratos terão que especificar se o cliente autoriza ou não que o débito eventualmente avance sobre o seu limite de cheque especial.

O novo regulamento também veda que o débito seja feito para cobrir parcelas vencidas. Ou seja, se o correntista não tiver saldo para cobrir o débito no dia do vencimento, essa dívida restante fica sujeita a negociação e não pode ser paga com um novo débito automático.

As novas regras entram em vigor em maio.

Em outra medida, o CMN também aprovou nesta quinta aprimoramentos pontuais na metodologia para apuração do patrimônio de referência (PR) das instituições, que passarão a vigorar em abril.

Segundo o BC, as mudanças atendem a recomendações internacionais.

Governos fazem testes para facilitar entrada de brasileiros nos EUA

O Ministério das Relações Exteriores e a Casa Civil anunciaram nesta 2ª feira (25.nov.2019) que os governos do Brasil e dos Estados Unidos fizeram 1 acordo para facilitar o processo de entrada de brasileiros no país norte-americano.

O programa não isenta a exigência de visto, mas agiliza a liberação no controle do passaporte no momento da chegada aos EUA. Segundo o Itamaraty, a participação do Brasil no programa é reivindicação antiga dos setores privados brasileiro e norte-americano.

Quem for previamente cadastrado no programa poderá fazer o trâmite de ingresso nos EUA em aeroportos selecionados de maneira desburocratizada por meio de quiosques automáticos, sem contato com agente de imigração, evitando a necessidade de passar por fila de controle migratório.

O teste será realizado com 1 grupo de até 20 pessoas participantes da 10ª reunião do Fórum de Altos Executivos Brasil – Estados Unidos, o ‘Fórum de CEOs’, realizado nesta 2ª feira, em Washington.

De acordo com o Itamaraty, essa fase experimental permitirá identificar as necessidades técnicas e operacionais para o lançamento de uma fase piloto e, posteriormente, para a execução plena e ampliada do programa.

VISTO

Em março deste ano, o presidente Jair Bolsonaro assinou 1 decreto que isentou os EUA e outros 3 países (Austrália, Canadá e Japão) de visto para entrar no Brasil. A medida não teve contrapartida, e foi tomada durante visita oficial do presidente brasileiro aos Estados Unidos.

De Uber a Nubank: as empresas que valem bilhões, mas nunca registraram lucro

Lucro ou prejuízo. A última linha da Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) das empresas traz um dos números mais repercutidos entre os analistas de mercado quando as companhias abertas divulgam seu desempenho a cada fim de trimestre.

Ela calibra projeções de curto ou médio prazo para as operações e é um indicador da saúde financeira do negócio.

Para algumas empresas, entretanto, a lógica é outra. Algumas companhias avaliadas em milhões (ou bilhões) de dólares nunca reportaram lucro. A lista está cheia de nomes conhecidos: Uber, a gigante de compartilhamento de escritórios WeWork, a Tesla, que já ficou alguns trimestres no azul, mas não um ano fiscal inteiro – situação parecida à do serviço de streaming de música Spotify. O microblog Twitter registrou a primeira sequência de quatro trimestres de lucro em outubro do ano passado, mais de uma década depois de criado.

Entre as brasileiras há o Nubank – também membro do clube de “unicórnios” do país, companhias que valem mais um bilhão de dólares.

Lá fora, algumas chegam a ir para a bolsa no vermelho. Um levantamento do professor da Universidade da Flórida Jay Ritter apontou que 81% dos 134 IPOs (“Initial Public Offering” ou oferta pública de ações) realizados nos Estados Unidos em 2018 foram de companhias que registraram prejuízo nos 12 meses anteriores à abertura do capital.

Na série histórica que começa em 1980 só foi registrado número parecido no início dos anos 2000, período conhecido como o da “bolha do pontocom”, quando a internet estourou como negócio.

O que explica isso?

‘Padrão’ Amazon
“Elas valem tanto primeiro porque as pessoas que investem nessas empresas acreditam que elas tenham potencial para gerar muito dinheiro no futuro e, mais importante, porque elas acreditam que podem vender (sua participação) para outra pessoa por um preço ainda mais alto”, escreveu à BBC News Brasil o professor da Universidade de Nova York (NYU) Aswath Damodaran, um dos maiores especialistas em “valuation” (termo da contabilidade para o processo que estima o valor de um negócio) do mundo.

Os setores são os mais diversos, mas as companhias geralmente têm um fator em comum – muitas são inovadoras ou “disruptivas”, no jargão do mercado.

“É uma aposta de longo prazo, em como vai ser o mundo daqui a 20 anos”, explica a professora do Insper Andrea Minardi.

No caso da Uber, por exemplo, a aposta seria de que as próximas gerações vão cada vez menos querer ter um carro na garagem – aumentando a base potencial de clientes para os aplicativos de transporte.

A empresa de tecnologia e transporte estreou no mercado em 2010, debutou na bolsa de Nova York em maio deste ano com valor de mercado de US$ 82,4 bilhões e nunca conseguiu registrar um trimestre de lucro sequer. No prospecto divulgado por ocasião da abertura de capital, um documento com mais de 300 páginas, afirmou que talvez nunca fosse rentável (leia mais sobre o caso da Uber abaixo).

A inspiração para muitos desses modelos de negócio é o caso de sucesso da Amazon. Depois de abrir o capital em 1997, a hoje gigante do e-commerce levou 24 trimestres – 6 anos – para registrar o primeiro de lucro.

A empresa seguiu divulgando resultados modestos pelos 14 anos seguintes, entre 2003 e 2016, até atingir o patamar atual de lucros – que ainda é “pequeno” se comparado ao crescimento exponencial da receita, ressalta o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Gilberto Sarfati.

Para efeito de comparação, no último trimestre fiscal a Amazon reportou lucro líquido de US$ 2,63 bilhões, ante US$ 10 bilhões da Apple.

Isso porque a empresa, especialmente seu fundador, Jeff Bezos, acredita que o negócio tem que manter um nível elevado de investimentos – inicialmente para construir sua base de clientes, hoje para desenvolver novas tecnologias e se manter inovadora.

Essa é a lógica de uma série de empresas “queimadoras de caixa”, especialmente aquelas em que o modelo de negócio tem uma margem de lucro pequena e depende de uma base grande de clientes para fazer dinheiro.

Companhias como o iFood, por exemplo, abrem mão de receita ou gastam para expandir ao máximo e o mais rápido possível o número de usuários – dando descontos e outras gratuidades, por exemplo, diz Fabricio Saad, coordenador de cursos de MBA da ESPM.

A reportagem procurou o aplicativo de entrega de comida, mas a companhia não respondeu às perguntas enviadas e não confirmou se a operação gera lucro.

No caso da Uber, até hoje as viagens são “subsidiadas”, ou seja, elas consomem mais dinheiro do que geram.

“Muitas dessas empresas precisam ter uma base grande de clientes para se tornarem relevantes e, para aumentar a base, você precisa de incentivos”, diz o pesquisador de inovação.

É a ideia do “winner takes all” (“o vencedor leva tudo”), explica Minardi, do Insper: aquele que conseguir dominar o mercado primeiro e fazer sua marca ser lembrada, se tornar parte do dia a dia dos clientes, em tese tem maior chance de sobreviver.

Além da Amazon, Paul Condra, analista de tecnologias emergentes na PitchBook, cita exemplos como o do serviço de streaming Netflix ou do Facebook, que passaram a gerar lucro depois de muitos trimestres no vermelho.

Quem faz essa aposta?
Além de inovadoras, as start-ups de milhões (ou bilhões) têm outra característica em comum: a maioria recebeu uma injeção generosa de capital que veio de fora da operação.

Cada fase do crescimento da empresa tem um perfil específico de investimento. O chamado “capital semente” e os investidores-anjo entram quando ela está dando os primeiros passos.

Depois vêm os fundos de venture capital, que fazem aportes mais vultosos ainda na fase em que a empresa está começando a se desenvolver.

Mais para frente entram os fundos de private equity, que, além de comprar participação, muitas vezes também participam ativamente da gestão do negócio.

Cada uma das categorias financia patamares de expansão do negócio. O venture capital, por exemplo, entra para tentar fazer a transição da start-up para uma fase mais madura, de “scale-up”, explica o professor Gilberto Sarfati, da FGV.

O dinheiro vem em sua maioria de investidores institucionais – conjuntos de empresas privadas, family offices (famílias com patrimônio elevado) e até fundos de pensão, diz o economista.

“Vai ser uma parte pequena, mas os fundos de pensão também alocam parte dos recursos em investimentos de mais alto risco.”

E quanto mais cedo o investimento, maior o risco – mas também os retornos. Os fundos ganham dinheiro vendendo a participação na empresa, inclusive por meio da abertura de capital, quando ela passa a valer muito – e isso independe do fato de o negócio dar lucro ou não.

Assim, os pouco mais de 100 IPOs de empresas “com prejuízo” nos EUA em 2018 renderam alguns milhões de dólares para os que as levaram até ali.

A professora Andrea Minardi ressalta que o volume de recursos levantados pelos fundos de venture capital atingiu novos patamares nos últimos anos, com destaque para o japonês SoftBank. Em 2016, seu Vision Fund captou cerca de R$ 100 bilhões, entre recursos próprios e de terceiros, como o fundo de investimento da Arábia Saudita.

Neste ano, anunciou o Vision Fund II, de US$ 108 bilhões. Entre as mais de 70 empresas que já receberam recursos do SoftBank, pelo menos três delas estão no Brasil: o app de entregas Loggi, a fintech Creditas e o Quinto Andar, de aluguel sem intermediários.

“Esses investidores sabem que um percentual grande de empresas vai quebrar, mas um caso de sucesso, sozinho, pode trazer de volta até 80 vezes o capital investido”, pondera Minardi.

‘Seria um grande erro estratégico pararmos nosso crescimento’
Desde que nasceu, em 2013, o Nubank já captou US$ 820 milhões em sete rodadas de investimento.

Mais recentemente, a empresa passou a acessar outras modalidades de financiamento – foram duas captações por meio de Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) e outra com a emissão de Letras Financeiras.

À BBC News Brasil, o banco afirmou que parte dos recursos foi usada para financiar as operações de crédito e parte no desenvolvimento dos produtos e serviços, usados hoje por 13 milhões de pessoas em todo o Brasil – 70% com menos de 36 anos.

A expansão já entrou na fase internacional. Um escritório de engenharia foi inaugurado em Berlim em dezembro de 2017 e o banco está lançando operações no México e na Argentina. São mais de 2 mil funcionários.

Por e-mail, a empresa afirmou que o prejuízo é uma opção. Segundo ela, o banco gera caixa desde 2017 e já tem um modelo de negócios sustentável. “Como nossas safras de clientes são rentáveis, o lucro poderia vir a qualquer momento que a gente decidir desacelerar o crescimento.”

“Porém, entendemos que ainda existe uma oportunidade de mercado muito grande e seria um grande erro estratégico pararmos o nosso crescimento.”

A oportunidade, para a companhia, são as “milhões de pessoas” no Brasil e em outros países que “ainda sofrem com serviços bancários ruins” ou que nem mesmo têm acesso a serviços financeiros.

“Nossos investidores concordam com isso e apoiam esta decisão. Por enquanto, não temos intenção de mudar a estratégia.”

No primeiro semestre de 2019, o prejuízo foi de R$ 139,5 milhões, bastante superior aos R$ 50 milhões registrados no mesmo período de 2018. A receita bruta, em compensação, dobrou, para R$ 1 bilhão.

Para avaliar seu desempenho – já que o lucro não é medida de sucesso -, o banco olha para uma série de indicadores: a “rentabilidade das safras de clientes” (que vem do uso de produtos como o cartão de crédito, a conta corrente e o programa de pontos), geração de caixa, índices de inadimplência, índices de atividade de cliente e indicadores de satisfação de cliente.

Fim do ciclo?
Paul Condra, da PitchBook – empresa de pesquisa que trabalha com uma grande base de dados sobre mercado de capital privado -, avalia que o “sentimento do mercado”, entretanto, vem mudando e que o cenário caminha para uma maior “racionalização”.

Cada vez mais os investidores se perguntam se o modelo de negócio é de fato rentável e se é possível enxergar o lucro, ainda que em um horizonte mais distante, diz ele.

O pano de fundo para a “cautela” maior, avalia o analista, é a desaceleração da economia global e a possibilidade de uma recessão nos Estados Unidos no médio prazo. Além das dúvidas sobre o futuro de unicórnios que ganharam grande visibilidade nos últimos anos – Uber e WeWork, por exemplo.

As ações da Uber vêm perdendo valor desde o IPO em maio, tendo encostado poucas vezes no preço que atingiram na ocasião da oferta inicial.

Os desafios que cruzaram o caminho da empresa foram vários, desde o aumento da concorrência – já que seu modelo é mais facilmente replicável do que o da Amazon, por exemplo – e problemas com a regulamentação do aplicativo em diversos países até uma questão reputacional, com escândalos internos (denúncias de assédio sexual por funcionários, por exemplo) e o debate sobre a “uberização” do mercado de trabalho – a tendência global do aumento da participação de autônomos, com menor acesso a diretos trabalhistas.

No caso do WeWork, destaca Sarfati, da FGV, que anunciou neste ano a intenção de abrir o capital, a empresa não conseguiu convencer o mercado de que valia tanto quanto julgava inicialmente. O objetivo era alcançar valor entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões com o IPO, conforme noticiado no início de setembro pela agência Bloomberg.

O mercado começou a questionar o número à medida que uma série de questionamentos sobre a operação foi levantada. Parte dos imóveis alugados pela WeWork, por exemplo, pertence a seu fundador, Adam Neumann.

Sua esposa, Rebekah, também está envolvida na operação e, de acordo com o prospecto preliminar do IPO, poderia indicar o sucessor do marido caso ele não pudesse desempenhar suas funções.

Pressionado por investidores, no último dia 24 de setembro Adam renunciou ao cargo de CEO e sinalizou mudanças na operação em resposta às críticas.

Carteira de trabalho digital agora é equivalente ao documento físico

Opção digital é vinculada ao CPF do cidadão e, apesar de a versão antiga continuar válida, sua emissão agora é prioritária

A carteira de trabalho digital, disponível em forma de app desde novembro de 2017, deve ter prioridade nas emissões a partir desta terça-feira (24). A portaria 1.065, do Ministério da Economia, que trata do tema, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Ela determina que o documento físico continua válido, mas que agora a opção digital pode substituí-lo. Assim, além de os formatos serem equivalentes, o trabalhador pode optar por ter apenas a versão eletrônica. Até agora, a emissão de carteiras digitais era uma extensão do documento físico — que era insubstituível para o registro de emprego.

Todos os cidadãos inscritos no Cadastro de Pessoa Física (CPF) terão a carteira de trabalho digital emitida automaticamente. Para habilitá-la, entretanto, o indivíduo deve se cadastrar no site Emprega Brasil ou no aplicativo dedicado com seus dados pessoais. O documento é certificado já nesse primeiro acesso.

Como a carteira de trabalho digital é vinculada ao CPF, informar esse número ao empregador equivale a apresentá-la. A partir daí, os registros passam a ser eletrônicos e equivalem às anotações que até agora eram feitas diretamente no documento — assim, o trabalhador terá acesso às informações do contrato de trabalho diretamente no site ou no app.

A adoção efetiva da carteira de trabalho digital faz parte da Medida Provisória da Liberdade Econômica. Esse pacote tem o objetivo de desburocratizar as relações entre trabalhadores e empresas.

Bancos digitais – De Inter a Neon os novos modelos de bancos oferecem serviços também para PJ

Depois das , as empresas, agora, começam a entrar na alça de mira desse novo modelo de bancos, viabilizado pelas fintechs

Os bancos digitais vêm conquistando uma boa fatia do mercado de contas correntes de pessoas físicas no país. Quem recorre a essas instituições busca menos burocracia para a abertura e mais economia para a manutenção de contas e tarifas bancárias. Depois das pessoas físicas, as empresas, agora, começam a entrar na alça de mira desse novo modelo de bancos, viabilizado pelas fintechs. Alguns bancos digitais criaram estruturas próprias voltadas ao atendimento de pessoas jurídicas.

O foco inicial dessas instituições é voltado às necessidades de microempreendedores, pequenas e médias empresas. Mas parte dos bancos digitais diz atender até mesmo grandes corporações.

Banco Inter

É o caso do Banco Inter, que afirma ter serviços que atendem desde profissionais liberais até grandes empresas. A instituição oferece conta PJ desde agosto de 2017. Segundo o banco, todo o processo de abertura da conta é feito, como no caso das pessoas físicas, pelo site do banco. O Inter também ressalta que a conta jurídica é totalmente gratuita, incluindo emissão de boletos, TEDs e saques.

No Banco Inter, o empresário precisa ter conta pessoa física no banco. Segundo a instituição, “a conta PJ é um benefício para o correntista pessoa física”. O banco garante que o empresário que mantém sua conta jurídica no Inter tem ainda acesso a diversas linhas de crédito, específicas para a modalidade, como capital de giro e antecipação de recebíveis do cartão de crédito. Essa última com juros a partir de 1% ao mês.

Neon Pagamentos

Outros bancos digitais também oferecem conta para pessoa jurídica. A Neon Pagamentos, por exemplo, lançou o Neon Pejota em novembro do ano passado. Antes do lançamento da conta jurídica, o Neon já atendia cerca de mil empresas e pequenos empreendedores que participavam da fase de testes dessa nova modalidade de atendimento.

O público-alvo do Neon Pejota são profissionais liberais, microempreendedores individuais e pequenas e médias empresas. O empresário não precisa manter sua conta de pessoa física na instituição, mas há muitos casos em que o empresário tem as duas modalidades de conta na instituição.

A conta jurídica do Neon Pejota não tem anuidade. Mas as tarifas são cobradas pelo uso dos serviços. No caso de emissão de boletos, por exemplo, o empresário paga R$ 2,90 por transação. O saque no caixa eletrônico da rede 24 Horas tem custo de R$ 6,90. Para fazer transferências via TED para outros bancos o empresário precisa desembolsar R$ 3,50.

Por enquanto, o Neon não oferece linhas de crédito para pessoa jurídica. Mas promete para breve liberar o investimento em CDB direto na conta Neon Pejota. Sem adiantar os detalhes, o banco digital diz que tem planos ainda de implantar a função que permite realizar pagamento dos funcionários de empresas “de forma mais prática”.

Banco Original

O Original é outro banco digital que oferece algumas soluções para os clientes pessoa jurídica. Como condição para habilitar-se a usar a conta jurídica, batizada de Original Empresas, o empresário deverá também manter uma conta pessoa física na mesma instituição.

A conta Original Empresas, no momento, só oferece como opção de crédito para pessoas jurídicas o Cheque Empresarial. Linhas como capital de giro e cartão de crédito devem ser acrescentadas ao portfólio da conta PJ do Banco Original somente nos próximos meses. Outros serviços, como o de cobrança, também são promessas futuras para as empresas com conta corrente no Banco Original.

Os principais serviços bancários voltados para as necessidades das empresas no Original estão inclusos em um pacote de R$ 39,90 por mês, o Original Empresas, que dá direito a seis TEDs, quatro saques e 20 pagamento, mensalmente. Esse pacote garante ainda a isenção total de tarifas na conta pessoa física do empresário. Por enquanto, o banco digital ainda não tem serviço de emissão de boletos.

O Banco Original promete acrescentar, em breve, um novo pacote mais completo de serviços, com custo mensal de R$ 79,90. Com esse valor mensal, o cliente pessoa jurídica passará a fazer saques e transferências ilimitadas. Esse pacote ainda incluiria uma máquina de cartões, segundo o banco, totalmente gratuita. Nessa opção, o cliente PJ do Original também não precisaria pagar tarifas nas suas movimentações da conta corrente pessoa física.

Novo RG – Identidade vem com QR Code e traz dados de até 12 documentos

O novo modelo de RG começou a ser emitido nesta semana em oito estados, além do Distrito Federal, e permite incluir 12 documentos em um só. Além disso, ele conta com QR Code para comprovar a autenticidade das informações.

Este ainda não é o Documento Nacional de Identidade, a proposta de unificação dos RGs com dados semelhantes em todo país, motivo pelo qual ainda apenas alguns estados podem emitir a versão atualizada do RG. São eles: Goiás, Mato Grosso, Acre, Maranhão, Ceará, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal.

No documento, podem ser incluídos dados para além do número de CPF, tipo sanguíneo e cadastro de NIS, PIS ou PASEP, já permitidos na versão atual. A lista completa de documentos é:

  • Nome Social
  • Fator RH (tipo sanguíneo)
  • CPF
  • DNI (Documento Nacional de Identificação)
  • CNS (Cartão Nacional de Saúde)
  • NIS / PIS/ PASEP
  • Certidão Militar
  • CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social)
  • CNH (Carteira Nacional de Habilitação)
  • Título de Eleitor
  • Identidade Profissional

É importante ter em mente, contudo, que, para inclusão de todos esses dados no seu novo RG, é preciso que se comprove as informações com os documentos originais. Para aumentar a segurança, o documento agora conta com outros mecanismos, como QR Code, além de mudança de relevo e informações sensíveis à luz ultravioleta.

O novo documento está começando a ser emitido a quem precisa renovar ou retirar uma primeira via. Contudo, a versão antiga ainda continua valendo. A mudança tem como base o decreto 9.278/2018, sendo que deve passar a valer em todo Brasil já em março do ano que vem.

Outra novidade é que agora é possível emitir o RG em formato menor, chamado de cartão. Ele conta com dimensões de 85,6 x 54 mm e chip para leitura por aproximação.

Guia para desempregado : 10 dicas para quem ficou sem o emprego

As dívidas e as prestações mensais, sem dúvida, são a maior assombração de quem fica desempregado de uma hora para a outra.

Contatar os credores de financiamentos para expor a situação e alongar prazos é uma das saídas. Mas a venda de bens como carro, também deve ser considerada. Para ajudar quem ficou desempregado a não se endividar, listamos 15 dias.

Afinal, o desempregado precisa ter em mente que trata-se de uma fase complicada e cheia de restrições. Mas ela pode ser atravessada desde que haja organização e disciplina.

Muitas vezes, a condição é um estímulo para começar um novo estilo de vida. Pode ser em um posto de trabalho melhor ou até como patrão.

1 – Encare a situação de frente
Agora é hora de saber quais são os recursos disponíveis. Coloque no papel:

As verbas rescisórias (pagamento de férias, 13º proporcional, multa sobre o FGTS e liberação do mesmo, quando não for justa causa);
Algum fundo de emergência criado para este fim e o seguro-desemprego.
Esse montante será sua base financeira até encontrar um novo emprego e voltar a receber um salário.

2 – Não se empolgue com o dinheiro recebido
Ao se depararem com uma quantia considerável, proveniente da verba rescisória e demais benefícios, muitas pessoas se iludem e cogitam fazer investimentos, como trocar o carro ou reformar a casa. Mas atenção! Nesse momento você não tem mais renda mensal, e esse dinheiro é seu único recurso para pagar as contas fixas durante o tempo em que estará desempregado.

3 – Não pague com cartão de crédito
Jogar as despesas para o próximo mês, quando não há perspectiva de um novo trabalho e renda, só agravará o problema.

Lembre-se de que os juros do cartão de crédito estão entre os maiores do mercado e nesta fase será bem fácil entrar em uma bola de neve com dívidas no cartão.

Por isso, dê férias indeterminadas para o cartão.

4 – Coloque as contas na ponta do lápis
Inclua suas fontes de renda e todos os gastos (inclusive pequenas despesas do dia a dia).

Manter controle total sobre as finanças é a melhor maneira de evitar o endividamento e conseguir identificar onde cortar gastos.

5 – Corte itens nas despesas mensais
Não tem jeito. Uma das primeiras atitudes práticas para quem está desempregado e não vê perspectiva de encontrar um novo trabalho em pouco tempo é enxugar o orçamento.

Para isso, será necessária a contribuição da família. Explique que é uma situação temporária, mas para evitar transtornos maiores, algumas despesas terão que ser cortadas.

Caso ainda não tenha, organize uma planilha com todas as contas mensais, incluindo dívidas e prestações. Esse hábito deve se manter por toda a vida, porque ajuda a saber onde a renda mensal é empregada.

Retire dessa lista tudo o que pode ser cortado temporariamente. Isso inclui academia, cursos de idiomas, faxineira, gastos com salão de beleza, TV a cabo, por exemplo. Mantenha apenas os itens essenciais, como: alimentação, plano de saúde, contas de luz e água.

6 – Diminua o valor das contas que não podem ser cortadas
Mesmo algumas despesas fixas devem sofrer redução. É possível economizar luz e água e restringir itens na lista de compras do supermercado ou substituí-los por produtos similares mais em conta, por exemplo.

7 – Pague à vista
Como a gente já disse, é hora de trocar o crédito pelo débito. E para ir além, vá pagando à vista as contas indispensáveis. Assim, você terá como controlar melhor sua verba, sabendo exatamente quanto pode empenhar em cada compra/pagamento.

8 – Pratique a boa avareza
Faça economias pequenas no dia a dia, dispensando o cafezinho na padaria, o pão de queijo na esquina e a pizza no fim de semana.

Esses poucos reais economizados, ao longo de um mês, transformam-se no dinheiro que falta para a conta de gás, por exemplo.

9 – Economia com transporte
Em alguns momentos será mais barato deixar o carro e sair de casa a pé ou de transporte público. O procedimento evita gastos com combustível e não desgasta o veículo, adiando a manutenção e a troca de peças.

10 – Dívidas anteriores ao desemprego
Caso o desempregado tenha dívidas atrasadas para arcar, o primeiro passo é contatar os credores e explicar a situação.

Para acertar as contas com o cheque especial e o cartão de crédito, pode ser viável pedir uma atualização de valores e fazer uma proposta para quitar à vista, com desconto. Avalie também se é possível empenhar a verba rescisória nesses pagamentos.